Por Carlos Cezare
Publicidade odontológica pede criatividade e critério na mesma mesa. Uma legenda pode soar convincente e ainda comunicar algo que o consultório não deve prometer. Uma imagem pode estar autorizada e continuar exigindo avaliação sobre onde e como será usada.
Carlos Cezare propõe um processo editorial em que o profissional de comunicação organiza a narrativa e o responsável técnico valida as afirmações e os limites da divulgação. Nenhum dos dois precisa trabalhar no escuro.
Publicidade odontológica não se resume a uma autorização
A Resolução CFO-196/2019 trata da divulgação de autorretratos e imagens de diagnóstico e conclusão de tratamentos, sob condições. Ela não libera indiscriminadamente imagens de procedimentos. O CFO também esclarece que a norma não substitui o Código de Ética. Leia a explicação oficial do Conselho.
Para cada peça, confira quem publica, quem executou o atendimento, a finalidade da imagem e as condições exigidas. Consulte o responsável técnico e o CRO sobre a aplicação ao caso concreto, inclusive normas posteriores.
Troque a promessa por uma explicação
Em vez de “resultado perfeito para qualquer pessoa”, desenvolva conteúdo sobre como funciona uma avaliação, quais dúvidas podem ser levadas à consulta e por que decisões dependem do caso. A mudança mantém o assunto interessante e evita uma expectativa universal.
Uma estrutura útil: pergunta do público, explicação revisada, limites da informação e próximo passo. O texto pode ter ritmo e personalidade. Precisa, antes de tudo, dizer algo defensável.
Um fluxo editorial de quatro etapas
- Pauta: definir o objetivo e o público da publicação.
- Checagem: validar informações clínicas com o profissional habilitado.
- Imagem: revisar autorizações, identificação e adequação do uso.
- Publicação: conferir legenda, destino dos links e versão aprovada.
Guarde a versão final e identifique quem fez a revisão. Se o conteúdo mudar substancialmente, submeta a nova versão à mesma conferência. A aprovação de um roteiro não cobre automaticamente qualquer edição posterior.
E se o conteúdo usar IA?
A revisão continua necessária. Uma ferramenta pode inventar uma explicação, exagerar benefícios ou sugerir uma imagem inadequada. Quanto mais fácil ficou produzir, mais importante ficou saber o que publicar.
No trabalho editorial proposto por Carlos Cezare, linguagem natural significa proximidade e clareza, não descuido. O guia de Instagram para dentistas apresenta pautas que podem ser adaptadas à rotina do consultório.
Este artigo substitui uma avaliação do CRO?
Não. Ele organiza o processo de comunicação e aponta uma referência oficial. A verificação das regras aplicáveis a uma peça específica exige analisar o conteúdo, o responsável pela divulgação e as normas vigentes.
Sobre Carlos Cezare
Carlos Cezare é especialista em marketing para médicos, roteirista de conteúdos e autor de Lei da Satisfação: A arquitetura dos desejos e a arte de pilotar na turbulência. Neste espaço, apresenta análises sobre comunicação, conteúdo e estratégias digitais.

